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Sabor renovado no Tio Pepe


São poucos os que conseguem atravessar tantas curvas do tempo. Desde que o espanhol José Garrido Cid, o “Pepe”, chegou na cidade e por aqui se encantou, já se vão 52 anos que ele inaugurou o já tradicional Tio Pepe, o restaurante de comida farta, para ser compartilhada, preparada principalmente na brasa. Agora, a casa de Boa Viagem se renova parcialmente.

As chapas de carne – como a carne de sol na brasa e o Filé Trifásico, recheado com cream cheese e blocos de bacon sem gordura –, as peixadas suculentas e a pescada na brasa continua firmes no cardápio. A cozinha, no entanto, conta agora com opções de pratos individuais e novos preparos. Alguns na linha daquela nouvelle cuisine pernambucana que une frutas e pescados tão bem representada pelo chef César Santos.

Um deles é o Camarão Pitanga (R$ 71, para dois), com o crustáceo servido no molho agridoce (mais agri e menos doce, com o suco bem reduzido ao fogo) de pitangas ao vinho branco. Acompanha um arroz molhadinho (não é risoto, como sugere a tradição italiana e está descrito no cardápio) com pasta de brócolis e (para satisfazer quem gosta de bastante carboidrato no acompanhamento) batatas salteadas com salsa. Elaboração da chef consultora Veruska Velozo, uma Moranga Tropical (R$ 81), para duas pessoas, também está no novo cardápio. O jerimum inteiro é assado ao forno e recheado com camarões ao molho de manga e leite de coco (sim, podem lembrar do olindense Oficina do Sabor como inspiração, de onde esse “clássico” se disseminou mais recentemente). Um prato coletivo e lúdico: as paredes do jerimum devem ser raspadas para virar um purê de acompanhamento (ao lado de um arroz branco).

De inspiração ítalo-mediterrânea, há também agora um “Bombom de Bacalhau”, na verdade, um papelote no qual o peixe é cozido com batatas (mais essas) e legumes (menos esses) em azeite e vinho branco. Bem leve e suculento. O prato é descrito como individual (R$ 59), mas pode ser perfeitamente compartilhado, sobretudo se precedido pelas entradas de grande apelo da casa – a costelinha de porco, o casquinho de caranguejo e os novos pastéis, de massa grossa, com recheios como salmão ou costelinha desfiada são alguns deles.

Dos pratos mais estritamente individuais, há um bife de chorizo (R$ 44), à argentina, na brasa. Acompanhamentos como a farofa de ovos continuam fazendo a diferença.

Comandada por Mirtes Garrido, filha do “Tio Pepe”, a casa continua um charme, decorada com plantas e objetos bem humorados – o jardim convida sempre para um brinde. E, recém- aceita pela associação, se prepara para lançar, em breve, seu primeiro Prato da Boa Lembrança.

Fonte: JORNAL DO COMMERCIO / CULTURA